quinta-feira, 26 de novembro de 2009

MORTE E VIDA VERÁ!

Genivaldo Verá e Olindo Verá. Estes eram os nomes, talvez de batismo? Instituídos por nossa sociedade moderna, democrática e hegemonicamente em língua portuguesa, de dois professores, estudantes, irmãos, filhos, trabalhadores, e quem sabe Pais? Indígenas Guarani Kaiowá. Assassinados nos últimos dias no Sul de Mato Grosso do Sul próximo a cidade de Paranhos. A incerteza da data está de acordo com a maior parte dos crimes que são cometidos por parte de nossos ilustres produtores e proprietários rurais, ou melhor, por seus capangas. Crimes silenciosos que matam, omitem, escondem e tornam-se impunidades, nessa terra onde a justiça é daqueles que tem poder sobre os que morrem por viverem além das regras e limites que lhe são impostos.
Como no suspirar da vida morreram os professores Verá que mais uma vez nos fazem ver o quanto absurda é nossa sociedade e o quanto hipócritas e tiranos são nossos monopólios de comunicação e mídia, que ocupados em criminalizar os movimentos de lutas por direitos suprimidos, não divulgam notas, comentários ou mesmo denúncias, das atrocidades sofridas por Indígenas e despossuídos em geral.
Os professores Verá, saltam para a vida encontrando a morte. Libertam-se daquilo que já lhes eram, com muita dificuldade, o direito de viver da maneira que são! Abandonam uma vida de luta e sofrimento para uma fuga de liberdade e fim, ou talvez começo, novos horizontes para aqueles que prosseguem a marcha de luta pelo direito de existir.
Apenas se fazer vida, é esse o direito que lhe são tirados e na morte, se fazem vivos, por não se renderem como cadáveres aprisionados por aqueles que tentam, mas não consegue lhes impor a forma única de vida, a da sociedade moderna capitalista.
Renunciando o apagamento de sua existência ficamos nós, respirando um odor fétido de podridão e promiscuidade, mistura de sangue e cobiça. Sentindo a indiguinação de olharmos de longe, “sem saber ao certo o que e como ocorreu?” Informados apenas, como sempre, por escassas notícias online da ditatorial mídia brasileira.
Como fortalecimento de nossos espíritos esfolados de inconformismo, sabemos que o projeto dessa sociedade está com os dias contados, o planeta é o limite podem suprimir vidas, ainda assim não completaram o pretenso ciclo de acumulação infinita.
Em verdade, jamais saberão o que é viver, pois estão presos por sua ganância e hipocrisia. Nunca sentirão em suas medíocres vidas o que “vivem” os professores Verá, que nesse momento pulsam no bater de nossos corações, nos motivando a sorrir para beleza de suas liberdades fúnebres, mas que nos enche de coragem e esperanças, enquanto vocês assassinos, quando muito, apenas nos embrulham o estômago.
Por Thiago Rodrigues Carvalho
Que vê e sente a vida das gentes professores Verá.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

LATIFUNDIÁRIOS AGEM DE FORMA DESUMANA

Aldeia Guarani é incendiada no Mato Grosso do Sul No ultimo dia 14 de setembro, pessoas não identificadas queimaram cerca de 35 casas de indígenas Guarani Kaiowá, da aldeia Laranjeira Ñanderu, próxima do município de Rio Brilhante, no Mato Grosso do Sul. Os indígenas não estavam na aldeia, pois desde o dia 11 foram obrigados a sair da terra por ordem judicial e estão acampados à beira da BR-163.

Os cerca de 130 Guarani Kaiowá da comunidade Laranjeira Ñanderu assistiram o fogo consumir suas casas e o restante de seus pertences. Durante a noite, os causadores do incêndio continuaram a amedrontar os indígenas, com carros vigiando as coisas queimadas e acendendo os faróis contra os barracos na beira da estrada.

O Ministério Público Federal foi alertado e se comprometeu a enviar agentes policiais, mas isso não aconteceu. De acordo com Zezinho, uma das lideranças Guarani, os indígenas estão abalados porque não foram apenas as casas queimadas, mas também os espíritos dos que moravam com eles.

Durante a madrugada, alguns indígenas ainda se arriscaram a ir à antiga aldeia para resgatar pequenos animais, mas a maioria dos bichos, como galinhas e cachorros, estavam mortos. Toda a comunidade passou a noite sem dormir, com medo dos ataques.

Os indígenas Guarani Kaiowá estão acampados na beira da estrada, em frente à fazenda Santo Antônio de Nova Esperança, onde está a terra tradicional do povo, à espera de demarcação.

Cimi MS

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O nosso Adolescente – É importante saber!

Dr. Jajáh*

Meus amigos, o ser humano nunca está pronto. Acabado. Está sempre em transformação. Em vir a ser. Dos estágios que caracterizam a vida, a adolescência pode ser considerada a mais penosa. Crucial. As transformações são abruptas, desequilíbrios e instabilidades diversas. É como o vôo de um avião que passa por turbulências. Não é mais criança, portanto, não pode ser tratado como tal. Ainda não é adulto, mas quer ser tratado como tal.
O Dr. Maurício Knobel define como "Síndrome normal do adolescente", o seguinte conjunto de comportamentos:
1 – busca de si mesmo e de sua identidade – é importante e necessário;
2 – tendência grupal – é natural e desejável;
3 – necessidade de intelectualizar e fantasiar – é aqui que a introdução à intelectualização;
4 – crise religiosa – é normal que se afaste da igreja;
5 – falta de conceito de tempo – o relógio é apenas um adorno;
6 – evolução sexual – aqui ocorre a definição;
7 – atividade social reivindicatória – exige ser tratado como "gente";
8 – contradições sucessivas em manifestações de conduta – ainda não sabe o que é e o que quer;
9 – separação progressiva dos pais – os amigos assumem importância de destaque;
10 – constantes flutuações de humor e de estado de ânimo – suas preferências ainda não se encontram consolidadas.
Sendo assim, meu amigo, e é, temos que nos conduzir com tranqüilidade para não colocar a nave de nosso filho em pane, perturbando a condução e o rumo.
Essas características precisam ser conhecidas pelos pais e educadores, para não considerarem o jovem como problemático.
As rupturas sofridas pelo adolescente muitas vezes são abruptas e repentinas. A nossa participação competente busca amenizar o trauma e transmitir compreensão e segurança.
Segundo Arminda Aberastury, as perdas ou lutos são:
– luto pelo corpo infantil perdido;
– luto pelo papel e identidades infantis que o obrigam a renunciar à dependência e aceitar a responsabilidade;
– luto pelos pais da infância, que o adolescente tenta reter em sua memória;
– luto pela bissexualidade infantil;
Tudo isso é muito difícil. Manter e conservar é muito mais fácil, mais cômodo, do que mudar e encarar a novidade que é desconhecida. É preciso compreender que os caminhos a percorrer pelos nossos filhos são acidentados, mas são seus, portanto pais e filhos devem lutar com alegria na busca da liberdade e do amor.
Meu estimado amigo, assim como no churrasco não pode faltar a carne, no pão de queijo não pode faltar o queijo e o ovo, na educação de nossos adolescentes, mais do que em qualquer outra fase, não pode faltar os dois ingredientes mais importantes: o DIÁLOGO e o AMOR. Diálogo com amor. Amor com diálogo.
É neste momento que a constituição física e fisiológica se define. A manifestação da sexualidade imposta pela produção hormonal é, quem sabe, a principal força transformadora. A testosterona nos rapazes (em torno dos 13 anos) e de estrógenos e progestágenos, nas moças (em torno dos 11 anos). São essas substâncias produzidas pelas chamadas, gônadas que transformam o nosso filho bissexuado no rapaz e na moça com quem temos que lidar e ajudar.
É agora que o temperamento, a inteligência e o caráter começam a se manifestar e assumir as conformações que acompanharão o futuro adulto através de sua personalidade.
A luta do nosso filho em busca do respeito, da consideração e do tratamento como adulto não é outra coisa senão a sua luta pela sonhada e indispensável autonomia – faculdade de se governar por si mesmo.
Aqui está um dos pontos em que os pais mais manifestam as suas inseguranças. Soltar gradativamente a corda. Permitir que o amado filho ande por si, decida por si, escolha por si, viva por si.
Certamente é na família – e isso é o desejável – que o adolescente irá buscar os parâmetros necessários à sua postura social. É a filosofia de cada lar que irá orientar seu comportamento como ser social. Se é no seio da família que o jovem vai se rebelar, é nele também que encontrará os modelos para se afirmar.
O diálogo dever ser oportuno, onde deve prevalecer a atitude de ouvir por parte dos pais. Crítica? Este é o momento mais inadequado. Diálogo! Diálogo que permita momentos de reflexão! De autocrítica! As dicas são:
– saber provocar habilmente o diálogo, quando sentem que o adolescente está mais retraído do que o costume;
– que os pais tenham dignidade moral, para que sejam respeitados pelos filhos;
– ter discernimento para dialogar nos momentos oportunos;
– o diálogo deve ser respeitoso;
– saber ouvir mais do que falar;
– ser corajoso e estar preparado; finalmente,
– ser franco e caloroso.
A conquista da liberdade – da AUTONOMIA – é um dos fenômenos mais nobres e valiosos que ocorre nesta fase da vida dos nossos filhos. Capacidade e direito de viver sem intermediários, guiar por si a sua vida, assumir-se e assumir a sua vida. Decidir, escolher e se responsabilizar por suas escolhas. Construir a própria estrada.
Meu querido amigo, não existe um código que ensine, uma faculdade que forme, uma receita que determine como educar os nossos filhos. Sugiro que você se utilize do Código do Bom Senso, da presença ativa e da vontade de acertar. Só assim vamos ter adultos bem formados e felizes. Pense nisso. Pense e aja!

*Referência: Educar, um desafio. Escola de Pais do Brasil.
*O autor é médico na cidade de Dourados – Mato Grosso do Sul – O Estado do Pantanal – PN.
www.jajah.med.br / jajah@jajah.med.br

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Corpos estranhos: o caso Carrefour

O recente caso de espancamento de um homem negro no estacionamento do supermercado Carrefour em São Paulo é mais um episódio do cerco a que é submetida a classe média negra vítima do racismo que muitos afirmam não existir na sociedade brasileira.

Januáruio Santana, 39 anos funcionário da USP, segurança e eletrotécnico em segundo emprego, aguardava a família fazer compras no Supermercado Carrefour na cidade de Osasco na Grande São Paulo quando na noite de 7 de agosto foi tido como suspeito do roubo de um carro e de uma moto foi preso e torturado numa sala da empresa por seus seguranças e pela polícia militar. O carro da família é um Ford Eco Sport de valor entre 30 e 50 mil reais que está sendo pago em 72 prestações fruto do trabalho do casal. Sua esposa trabalha no almoxarifado do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo há 17 anos, ambos são negros e nordestinos.
Em São Paulo, no Rio de Janeiro como em todas as grandes cidades brasileiras, fora dos bairros populares onde é grande o número de negros ao volante de seus próprios carros, transitar pela cidade como se ela fosse um espaço livre e democrático acessível a todos os seus moradores pode resultar numa grande frustração e risco.

Você não precisa ser espancado numa sala do supermercado ou do Shopping Center, basta transitar fora dos bairros da periferia, fora dos horários comerciais ou dos eventos populares para sentir na pele o quanto não somos um país racista.
Tento imaginar o constrangimento de Januário e Maria nos corredores da USP - a maior Universidade do país - onde ambos trabalham. Ele com o olho roxo e um dente quebrado tentando agradecer a solidariedade manifestada por funcionários, estudantes e professores aos infortúnios do seu "fardo da cor". Ou o constrangimento de sua esposa Maria nos corredores do MAC - Museu de Arte Contemporânea da USP - onde ela ajuda a cuidar de um dos maiores acervos de arte do país, violada na sua dignidade por uma "divergência estética" com os seguranças da multinacional francesa Carrefour.
Corpos estranhos é o nome de uma das atuais exposições do MAC e serve de referência para ilustrar o ambiente intelectual que cerca a população negra e que também é uma barreira para sua realidade. Ambientes da alta cultura, de sofisticação e refinamento artístico e intelectual da elite que não servem para sensibilizar seu olhar para a estética cotidiana da vida nacional. Ironicamente, o MAC este ano celebra o Ano da França no Brasil e o Carrefour, uma empresa francesa já seleciona a compra de carne bovina de frigoríficos que não agridem o meio ambiente na Amazônia. Quanto a carne negra e aos corpos negros que ela personificam a situação é diferente e adversa, o negro é o gado fora do pasto, o estranho fora de seu território, a periferia urbana.
A gerência do Carrefour e da empresa de segurança certamente não frequentam os corredores, as salas de aula, o museu de arte e nem o estacionamento da USP, por isso não puderam perceber que os poucos negros que lá trabalham podem ter seus carros novos com financiamento garantido por seus salários e empregos e fazerem suas compras do mês no supermercado que preferirem.
A persistência do racismo apesar das negativas constantes pela mídia hegemônica e de livros como o do diretor de jornalismo das Organizações Globo - Não Somos Racistas - de Ali Kamel elaborados para confundir a opinião pública negando a existência do racismo sistêmico no Brasil é uma infeliz contrariedade para suas teses. Teimosa esta realidade que insiste em contradizer as teses da 'fina flor' da intelectualidade brasileira!
FONTE: NÃO SOMOS RACISTAS

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Violência Policial: uma ameaça à democracia

A violência policial é um fato – basta lembrar Carandiru, Candelária, Eldorado dos Carajás – não um caso isolado ou um “excesso” do exercício da profissão como querem fazer crer as corporações policiais e as autoridades ligadas ao sistema de justiça e segurança. E, em se tratando de um fato concreto, deve ser encarada como um grave problema a ser solucionado pela sociedade. Um grave problema porque a violência ilegítima praticada por agentes do Estado, que detêm o monopólio do uso da força, ameaça substancialmente as estruturas democráticas necessárias ao Estado de Direito.
A polícia representa o aparelho repressivo do Estado que tem sua atuação pautada no uso da violência legítima. É essa a característica principal que distingue o policial do marginal. Mas essa violência legítima está ancorada no modelo de “ordem sob a lei”, ou seja, a polícia tem a função de manter a ordem, prevenindo e reprimindo crimes, mas tem que atuar sob a lei, dentro dos padrões de respeito aos direitos fundamentais do cidadão – como direito à vida e à integridade física.
A ausência de respeito ao modelo de “ordem sob a lei” tem se perpetuado dentro da estrutura policial brasileira por razões diversas – como a falência dos modelos policiais, o descrédito nas instituições do sistema de justiça e segurança, a impunidade – mas principalmente por uma certa tolerância da própria sociedade com esse tipo de prática. Analisando o problema do ponto de vista sócio-político veremos que a violência policial tem raízes culturais muito antigas (desde a implantação do regime colonial e da ordem escravocrata), e que estas têm uma relação diretamente proporcional à ineficiência do Estado de punir, na maioria dos casos, as práticas criminosas dos agentes de segurança.
É difícil admitir, mas existe uma demanda dentro da sociedade para a prática da violência policial. É esta violência que serve à sociedade dentro de diversos aspectos e circunstâncias, mas especialmente no tocante à solução dos crimes contra o patrimônio e na repressão às classes perigosas. Por isso mesmo, a dificuldade do Estado no âmbito da segurança pública, no final do século XX, continua sendo o controle da violência legítima, do qual decorreria consequentemente a extinção do uso ilegítimo da força por parte dos organismos policiais.
A questão da democracia é, então, um ponto de extrema importância nesse debate. Isso porque a violência policial inevitavelmente gera as mais graves violações aos direitos humanos e à cidadania, que são elementos inerentes ao regime democrático. Alguns estudos, sobre a mesma temática da violência policial e do autoritarismo, desenvolvidos pelo cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, da Universidade de São Paulo, demonstram que as práticas policiais de natureza autoritária são práticas que têm acontecido independente do regime político. Isso se deve, segundo a análise de Pinheiro, a uma continuidade de práticas utilizadas no regime autoritário que a transição política não conseguiu extinguir, pelo fato dos governos de transição terem tratado os aparelhos policiais como organismos neutros nos quais a democracia política atacaria suas raízes autoritárias. Esta continuidade, entretanto, possibilitou a adequação de práticas autoritárias dentro de um governo democrático, gerando com isso a existência de um “regime de exceção paralelo”.
Para tentar se encontrar um caminho que ajuste os órgãos de segurança à realidade democrática, é importante, antes de tudo, que a sociedade descubra que tipo de polícia ela quer: uma polícia que respeite os direitos do cidadão, que exista para dar segurança e não para praticar a violência; ou uma polícia corrupta (que livra de flagrantes os filhos das classes abastadas) e arbitrária (que utiliza a tortura e o extermínio como métodos preferenciais de trabalho e que atingem na sua maioria as classes populares). Dentro disto, é preciso pensar nas formas de restringir as oportunidades da polícia utilizar a violência ilegítima, seja através do rígido controle de armamentos ou do limite do reconhecimento da legitimidade do uso da força a situações particulares. Finalmente, o que não se deve perder de vista dentro desta discussão é o risco que a tolerância à violência policial acarreta para a democracia. Sem uma polícia condizente com práticas democráticas e de respeito aos direitos fundamentais do cidadão vai existir sempre a ameaça de que o “regime de exceção paralelo” transforme-se num regime institucional.

POR: CELMA TAVARES

domingo, 24 de maio de 2009

Regina Duarte também tem medo de índio!

A atriz global e pecuarista Regina Duarte, em discurso na abertura da 45ª Expoagro, em Dourados (MS), disse que está solidária com os produtores e lideranças rurais quanto à questão de demarcação de terras indígenas e quilombolas no estado.
“Confesso que em Dourados voltei a sentir medo”, afirmou a atriz, neste domingo (18), com referência à previsão de criação de novas reservas na região de Dourados. “O direito à propriedade é inalienável”, explicou ela, de forma curta, grossa e maravilhosamente elucidativa o que faz do BRASIL um Brasil. Em verdade, ela deve estar sentindo medo desde a campanha presidencial de 2002…
(O deputado Ronaldo Caiado, principal defensor desses princípios, deveria cobrar royalties de Regina Duarte… Inalienáveis deveriam ser o direito à vida e à dignidade, mas terra vale mais que isso por aqui.)
“Podem contar comigo, da mesma forma que estive presente nos momentos mais importantes da política brasileira.” Ela e o marido são criadores da raça Brahman em Barretos (SP).
Dos 60 assassinatos de indígenas ocorridos no Brasil inteiro em 2008, 42 vítimas (70% do total) eram do povo Guarani Kaiowá, do Mato Grosso do Sul, de acordo com dados DO Conselho Indigenista Missionário (Cimi). “Ninguém é condenado quando mata um índio. Na verdade, os condenados até hoje são os indígenas, não os assassinos”, afirma Anastácio Peralta, liderança do povo Guarani Kaiowá da região.
“Nós estamos amontoados em pequenos acampamentos. A falta de espaço faz com que os conflitos fiquem mais acirrados, tanto por partes dos fazendeiros que querem nos massacrar, quanto entre os próprios indígenas que não têm alternativa de trabalho, de renda, de educação”, lamenta Anastácio Peralta.
A população Guarani Kaiowá é composta por mais de 44.500 indígenas. Desse total, mais de 23.300 estão concentrados em três terras indígenas (Dourados, Amambaí e Caarapó), demarcadas pelo Serviço de Proteção ao Índio (criado em 1910 e extinto em 1967), que juntas atingem 9.498 hectares de terra. Enquanto os fazendeiros, muitos dos quais ocuparam irregularmente as terras, esparramam-se confortavelmente por centenas de milhares de hectares. O governo não tem sido competente para agilizar a demarcação de terras e vem sofrendo pressões até da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA). Mesmo em áreas já homologadas, os fazendeiros-invasores se negam a sair - semelhante ao que ocorreu com as Terras de Raposa-Serra do Sol.
É esse massacre lento que a pecuarista apóia, como se as vítimas fossem os pobres fazendeiros. Só espero que, na tentativa de apoiar a causa, ela não resolva levar isso para a tela da TV, em um épico sobre a conquista do Oeste brasileiro, nos quais os brancos civilizados finalmente livram as terras dos selvagens pagãos.


FONTE: SAKAMOTO

quinta-feira, 14 de maio de 2009

ATENTADO A BOMBA COMPLETA 3 ANOS

Há três anos, na região de Dourados, os ruralistas promoviam grandes manifestações. Tratores e colheitadeiras ocuparam os canteiros centrais da cidade, e, em frente à Agenfa, se posicionou a coordenação do movimento, formada pelas lideranças. Camionetes de cabine dupla remontavam por cima do meio-fio, e, à força, as lideranças queriam que as pessoas não adentrassem àquela repartição pública. E a baderna continuou por semanas, inclusive ameaçando a sociedade com desabastecimento. Um grupo, notadamente alcoolizado, invadiu o Sindicato dos Bancários, e, com palavras de baixo calão, tentou intimidar lideranças sindicais e autoridades ali presentes. Na tarde de 14 de maio de 2006, Dia das Mães, o escritor Brígido Ibanhes fez publicar um artigo no Dourados News (O Grande Circo Político dos Agricultores), onde, reconhecendo em parte as razões, criticava a truculência dos ruralistas, e denunciava que o movimento era político-partidário. Brígido foi fiscal do Banco do Brasil por muitos anos, e sempre lutou em benefício dos pequenos e médios agricultores, e afirma que, entre os graúdos, têm alguns que só querem a verba do governo para gastos supérfluos, e que não se incomodam em ficar devendo, pois, amanhã ou depois, com a ajuda de algum político, dão um jeitinho. O artigo foi publicado no domingo (Dia das Mães), à tarde. Quando foi à noite, uma bomba (coquetel molotov) de alto poder destrutivo, explode na sala da sua casa, onde o escritor e sua esposa assistiam a tevê. Ambos sofreram queimaduras graves. No dia seguinte (segunda-feira), o deputado Zé Teixeira fez publicar um artigo em vários jornais, em que, ao invés de explicar as irregularidades citadas pelo escritor, passa a atacá-lo, tentando desmoralizá-lo. O inquérito policial instaurado para apurar o atentado, não chega a conclusão algum, por falta de interesse das autoridades, e o terrorista do Dia das Mães continua solto.

O ARTIGO: O grande circo político dos agricultores
Brígido Ibanhes
O que deveria ser um movimento legítimo de reivindicações, acabou se transformando num palanque para pretensos políticos de oposição ao Partido dos Trabalhadores. Basta ver o que se escreveu na porta da Agenfa de Dourados: “Fora PT”. Não disseram “Fora Lula”, que representa o governo, mas fora ao PT. Algumas lideranças, na ânsia de se promoverem, com vistas aos próximos pleitos eleitorais, armaram um grande circo aqui em Dourados.
Por longos anos fui fiscal do Banco do Brasil, e nunca vi uma classe que chora tanto. Era uma choradeira nos meus ouvidos quando fazia as vistorias. A lavoura poderia estar com ótima produtividade, mas sempre eles acham alguma coisa para chorar: é o preço que não está bom; são as dívidas nos bancos; etc.etc. No entanto, quando ia verificar, o sujeito estava de carro importado novo, ia passar férias nas praias badaladas, etc. Em conluio com políticos, roubaram tanto que acabaram com o Proagro, que era o seguro agrícola. Isso não é regra geral, mas, principalmente os grandes lavoureiros.
Hoje vejo que não eles mudaram nada. Nem se importam com as outras classes que compõem a sociedade, além de não terem o mínimo respeito pelas coisas públicas e pelas pessoas. Para eles, os índios, os sem-terras, os miseráveis, podem morrer de fome que não estão nem aí. Isso ficou claro no discurso de um dos tais líderes no Sindicato dos Bancários.
O Governo Federal, considerando que a agricultura, não exatamente as grandes monoculturas, é um dos baluartes da economia, vem liberando recursos, mais de bilhões, para amenizar a crise do campo. Mas, eles não estão satisfeitos aqui em Dourados. Outro pretenso líder já declarou que seriam necessários mais de 30 bilhões para solucionar os seus problemas, isto é, continuar dando boa vida aos maus administradores da agricultura. Quando a safra é boa, não se preocupam em fazer uma poupança para se acudir nos maus tempos. É sempre assim, é mais fácil pressionar o governo.
É verdade que o dólar caiu e trouxe para baixo o preço de comércio internacional da soja; é verdade que o clima não tem colaborado muito, isso até em função do desmatamento para se plantar essas mesmas lavouras; tudo isso a sociedade entende. Só não entende como um movimento legítimo de uma classe se transformou numa anarquia, onde tudo é válido: ofender os outros, tripudiar nas autoridades e, principalmente, coagir a população com ameaças de desabastecimento. Fica claro o movimento político por trás, até porque, aqui em Dourados, os produtores vieram a reboque de um movimento político que se denomina “Moraliza Brasil”.
Infelizmente a sociedade vai sofrer pela anarquia de algumas lideranças dos agricultores. O que poderia ser um movimento sério se transformou em arruaças de baderneiros com chapéu de couro...

terça-feira, 12 de maio de 2009

A Dor do Abandono

Era uma manhã de sol quente e céu azul quando o humilde caixão contendo um corpo sem vida foi baixado à sepultura.
De quem se trata? Quase ninguém sabe.
Muita gente acompanhando o féretro? Não. Apenas umas poucas pessoas.
Ninguém chora. Ninguém sentirá a falta dela. Ninguém para dizer adeus ou até breve.
Logo depois que o corpo desocupou o quarto singelo do asilo, onde aquela mulher havia passado boa parte da sua vida, a moça responsável pela limpeza encontrou em uma gaveta ao lado da cama, algumas anotações.
Eram anotações sobre a dor...
Sobre a dor que alguém sentiu por ter sido abandonada pela família num lar para idosos...
Talvez o sofrimento fosse muito maior, mas as palavras só permitem extravasar uma parte desse sentimento, grafado em algumas frases:
Onde andarão meus filhos?
Aquelas crianças ridentes que embalei em meu colo, alimentei com meu leite, cuidei com tanto desvelo, onde estarão?
Estarão tão ocupadas, talvez, que não possam me visitar, ao menos para dizer olá, mamãe?
Ah! Se eles soubessem como é triste sentir a dor do abandono... A mais deprimente solidão...
Se ao menos eu pudesse andar... Mas dependo das mãos generosas dessas moças que me levam todos os dias para tomar sol no jardim... Jardim que já conheço como a palma da minha mão.
Os anos passam e meus filhos não entram por aquela porta, de braços abertos, para me envolver com carinho...
Os dias passam... e com eles a esperança se vai...
No começo, a esperança me alimentava, ou eu a alimentava, não sei...
Mas, agora... como esquecer que fui esquecida?
Como engolir esse nó que teima em ficar em minha garganta, dia após dia?
Todas as lágrimas que chorei não foram suficientes para desfaze-lo.
Sinto que o crepúsculo desta existência se aproxima...
Queria saber dos meus filhos... dos meus netos...
Será que ao menos se lembram de mim?
A esperança, agora, parece estar atrelada aos minutos... que a arrastam sem misericórdia... para longe de mim.
Às vezes, em meus sonhos, vejo um lindo jardim...
É um jardim diferente, que transcende os muros deste albergue e se abre em caminhos floridos que levam a outra realidade, onde braços afetuosos me esperam com amor e alegria...
Mas, quando eu acordo, é a minha realidade que eu vejo... que eu vivo... que eu sinto...
Um dia alguém me disse que a vida não se acaba num túmulo escuro e silencioso. E esse alguém voltou para provar isso, mesmo depois de ter sido crucificado e sepultado...
E essa é a única esperança que me resta...
Sinto que a minha hora está chegando...
Depois que eu partir, gostaria que alguém encontrasse essas minhas anotações e as divulgasse.
E que elas pudessem tocar os corações dos filhos que internam seus pais em asilos, e jamais os visitam...
Que eles possam saber um pouco sobre a dor de alguém que sente o que é ser abandonado...
.........................................
A data assinalada ao final da última anotação, foi a data em que aquela mãe, esquecida e só, partiu para outra realidade.
Talvez tenha seguido para aquele jardim dos seus sonhos, onde jovens afetuosos e gentis a conduzem pelos caminhos floridos, como filhos dedicados, diferentes daqueles que um dia ela embalou nos braços, enquanto estava na terra.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

COMUNIDADE ATIVA CONCORRE VAGA NO OLHA MINHA BANDA

O GRUPO DE RAP COMUNIDADE ATIVA QUE SURGIU NO ANO DE 2004 NA VILA VALDEREZ PERIFERIA DE DOURADOS-MS, É FORMADO POR QUATRO INTEGRANTES, ALDEMIR BATISTA (DIDA); MC E BACK VOCAL, CLEVERSON OLIVEIRA; MC E COMPOSITOR, CLAUDIA PRADO; BACK VOCAL E ESTEVÃO DOS SANTOS; MC, SENDO TRÊS EM SUA FORMAÇÃO INICIAL.
O OBJETIVO DO GRUPO É DENUNCIAR AS INJUSTIÇAS SOCIAIS EM FORMA DE MUSICA, E AO MESMO TEMPO NÃO SE ESQUIVAR DO SEU PAPEL SOCIAL E POLITICO, O GRUPO DESENVOLVE TRABALHOS SOCIAIS EM SUAS COMUNIDADES, TRAZENDO PERSPECTIVA DE VIDA A JOVENS MARGINALIZADOS. O GRUPO REALIZOU SEU PRIMEIRO SONHO NO ANO DE 2006 GRAVANDO UM CD DEMO DE 7 FAIXAS, INTILUDADO “COMUNIDADE ATIVA X FACÇÃO DO CRIME”.
O GRUPO QUE TEM COMO INFLUENCIA O COTIDIANO VIVENCIADO NAS PERIFERIAS BRASILEIRAS, E PRINCIPALMENTE A REALIDADE LOCAL, EM SUAS MUSICAS RELATAM ASSUNTOS COMO PRECONCEITO, DROGAS, RACISMO E DESIGUALDADE SOCIAL.
AGORA O GRUPO ENCARA MAIS UM DESAFIO, ESTÃO EM BUSCA DE UMA VAGA NO OLHA MINHA BANDA DO CALDEIRÃO DO HUCK, E PRECISAM DO SEU VOTO PARA QUE MAIS ESTE SONHO SEJA REALIZADO.
PARA VOTAR ACESSE O LINK ABAIXO:
http://www.8p.com.br/olhaminhabandadehiphop/comunidadeativa/perfil

domingo, 26 de abril de 2009

"Obama e as favelas do mundo"

O processo de luta e busca por direitos básicos dos negros norte-americanos é histórico e muitas vezes foi banhado pelo sangue daqueles que buscaram por meio da luta política amenizar o sofrimento dos descendentes africanos oprimidos nas lavouras de algodão, portos e porões, perseguidos, torturados e mortos por membros da Ku Klux Klan e em grande medida por boa parte da sociedade por mais de um século. Homens como o pastor Martin Luther King, Malcom X, os Black Panthers e muitos artistas/ativistas do Hip Hop que por meio de seus atos políticos, discursos, músicas e organizações, buscaram desmantelar a segregação racial, tão exacerbada nos EUA, sentimento este que acaba por se reproduzir em várias esferas e poderes da sociedade americana, deixando "claro" para todos quais eram as intenções dos descendentes europeus na América, depois do genocídio quase total dos povos indígenas em todo continente reduzindo-os a pequenas reservas – nos EUA foram quase extinguidos do mapa – faltava agora "limpar" a nação dos negros.

Coincidentemente ou não os métodos usados foram bem parecidos com os que foram adotados aqui no Brasil, no sentido de minar a ascensão econômica, política e social dos negros, deixando-os á margem da sociedade e dos processos produtivos, expulsando-os dos espaços do centro e obrigando o deslocamento para áreas como morros, encostas, longe do centro urbano branqueado pela imigração européia no fim do século XIX, início do século XX, deixando um legado de miséria e favelização no Brasil, que desde o império adotou um sistema de concentração de renda, latifúndios, barões do café, senhores de engenho, enquanto a maioria dos homens e mulheres negros desse país sofriam e sofrem uma segregação racial e social tão drástica quanto a norte-americana, maquiada pelo discurso do trabalho, pela miscigenação da nação, desmistificando o ideário racista contido e implícito nas classes dominantes do Brasil.

O grito de liberdade contido na garganta por séculos de exploração do trabalho negro, por séculos de espoliação dos direitos humanos e agressão aos afro-americanos veio em forma de voto, mostrando ao mundo que é possível por meio da democracia trilhar caminhos outros que não seja os de interesse apenas de uma elite conservadora e protecionista... Obama traz as populações negras no mundo uma esperança jamais vista, no sentido de que os EUA tenham um novo olhar para com as favelas do mundo.

No Brasil a eleição de Barack Obama teve um efeito duplamente positivo, além de representar a ascensão do homem negro como o mais poderoso do mundo e toda a simbologia implícita neste ato, conciliou ainda, com uma data muito importante para milhões de brasileiros que vivem em áreas consideradas de risco, já que no ultimo dia 04 de novembro foi comemorado em várias capitais e cidades do país o dia da favela, uma iniciativa da Central Única das Favelas – CUFA que visa dar visibilidade às demandas das comunidades, bem como, promover ações que tragam um pouco de felicidade e auto estima um povo tão martirizado. É neste sentido que saudamos as favelas brasileiras e mundiais e brindamos com todos os seres humanos que lutaram e sonharam com esse momento.

(*) Higor Marcelo Lobo Vieira

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ponto de vista

Avolumam-se, com suspeito sincronismo, as
denuncias na imprensa sobre a prática do
nepotismo entre os políticos brasileiros. Como um
dos atingidos pela nefasta campanha, que visa
denegrir a imagem do servidor público no Brasil, a
mando de interesses inconfessáveis, me senti no
dever de responder publicamente às insidiosas
insinuações, na certeza de que assim fazendo
estarei defendendo não apenas minha honra –
apanágio maior de uma vida toda ela dedicada à
causa pública e à tradição familiar que assimilei
ainda no colo do meu saudoso pai, quando ele era
prefeito nomeado da nossa querida Queijadinha
do Norte e eu era o seu secretário particular,
depois da escola – mas também a honra de toda
uma classe tão injustamente vilipendiada, a não
ser quando pertence a outro partido, porque aí é
merecido. A imprensa brasileira, em vez de
cumprir seu legítimo papel numa sociedade
democrática, que é o de dar a previsão do tempo e
o resultado da Loteria, insiste em perscrutar as
ações dos políticos, como se estes fossem
criminosos comuns, não qualificados, e em
difamá-los com mentiras. Ou, em casos de
extrema irresponsabilidade e crueldade, com
verdades. Outro dia, depois de ler uma reportagem
em que um órgão da nossa grande imprensa me
fazia acusações especialmente levianas, virei-me
para meu chefe de gabinete e comentei: “Querida,
por que eles fazem isto comigo?”. Mas ela apenas
resmungou alguma coisa, virou-se para o outro
lado e continuou a dormir, obviamente perplexa.
As hienas da imprensa não medem as
conseqüências das suas infâmias. Tive que proibir
aos meus filhos a leitura de jornais, para poupálos.
Como a função dos quatro no meu gabinete é
unicamente a de ler jornais e eventualmente
recortar algum cupom de desconto, o resultado é
que passam o dia inteiro sem ter o que fazer e
incomodando a avó, que serve cafezinho. Não me
surpreenderei se algum jornal publicar este fato
como exemplo de ociosidade nos gabinetes
governamentais à custa do contribuinte. O
cinismo dessa gente é ilimitado.
Mas enganam-se as hienas se pensam que
me intimidaram. Não viro a cara para meus
acusadores, embora eles só mereçam desprezo,
mas os enfrento com um olhar límpido como
minha consciência e um leve sorriso no canto da
boca. Minha vida como parlamentar é um livroponto
aberto, imaculadamente branco. Como
ministro, não tenho o que esconder. E, mesmo que
tivesse, não haveria mais lugar nos bolsos. As
acusações de nepotismo são tão fáceis de
responder que até meu secretário de imprensa,
Gedeão, casado com a mana Das Mercês, e que é
um bobalhão, poderia se encarregar disto. Mas eu
mesmo o farei.
Não, não vou recorrer a subterfúgios e
alegrar que o nepotismo é antigo como o mundo,
existe desde os tempos bíblicos e está
mesmo nas origens do cristianismo. Quando
Deus Todo Poderoso, que era Deus Todo
Poderoso, quis mandar um salvador para a
Terra, quem foi que escolheu? Um filho! Nem
vou responder à infâmia com a razão,
denunciando a hipocrisia. Vivemos numa
sociedade que dá o mais alto valor à lealdade e
aos sentimentos de família. Enaltecemos o bom
filho, o bom pai, o bom marido – e o bom
cunhado, como acaba de me lembrar o Gedeão,
aqui do lado -, e no entanto esperamos que o
político, abjetamente, deixe de dar um emprego
para alguém do seu sangue e dê para o parente
de outro, às vezes um completo estranho, cuja
única credencial é ser competente ou ter
passado num concurso. Também não vou usar o
argumento do pragmatismo, perguntando o que
é melhor para a nação, o governante ser
obrigado a roubar para sustentar um bando de
desocupados como a família da minha mulher
ou transferir os encargos para os cofres
públicos, com suas verbas dotadas, e regularizar
a situação? Neste caso, o nepotismo é
profundamente moralizante. Com a vantagem de
estarmos proporcionando a um vagabundo
treinamento no emprego. Meu menino mais
velho, por exemplo, poderia ocupar a cadeira de
ministro de Estado a qualquer instante, pois,
como meu assessor, aprendeu tudo sobre o
cargo, menos a combinação do cofre, que não
sou louco.
Mas não vou dar aos meus difamadores a
satisfação de reconhecer a pseudoirregularidade.
No meu caso, ela simplesmente
não existe. ”Nepotismo” vem do italiano
“nepote”, sobrinho, e se refere às vantagens
usufruídas pelos sobrinhos do papa na Corte
Papal, em Roma. Bastava ser sobrinho do papa
para ter abertas todas as portas do poder, sem
falar de bares e bordéis.
“Sobrinho” não era um grau de parentesco,
era uma profissão e uma bênção. A corte
eclesiástica era dominada pelos “nepotes”, e,
neste caso, a corrupção era evidente. Qual o
paralelo possível com o que acontece no Brasil
hoje em dia? Só na fantasia de editores
ressentidos, articulistas mal-intencionados e
repórteres maldizentes as duas situações são
comparáveis. Desafio qualquer órgão de
imprensa a vasculhar meus escritórios, meus
papéis, minha casa, meu staff, minha vida e
encontrar um – um único! – sobrinho do papa
entre meus colaboradores. Não há sequer um
sobrenome polonês!

Exijo retratação.

***Luís Fernando Veríssimo é pseudônimo.

sábado, 18 de abril de 2009

Universitários enlatados

Estudantes universitários de Dourados-MS protestam com cartazes(por enquanto) contra a superlotação do transporte coletivo urbano.



MARÇAL DE SOUZA

O BANGUELA DOS LABIOS DE MEL!!!

Marçal de Souza, TUPÃ I que por muitos chamado de Marçal Guarani nasceu no dia 24 de dezembro de 1920, foi brutalmente assassinado em 25 de novembro de 1983 no município de Antônio João foi um líder guarani que grande parte da sua vida lutou em prol de seus “patrícios” (como gostava de chamar). Denunciando a exploração nas aldeias indígenas. Marçal de Souza foi vitima de perseguição por parte da funai e fazendeiros.
Durante seu trajeto na luta em defesa das questões indígenas Marçal de Souza participou de diversos seminários, congressos e conferencias. Na luta por melhoria nas condições de vida de seu povo, chegou ate mesmo a discursar para o papa João Paulo II em 1980 em Manaus na primeira visita do Pontífice. Em seu discurso falou sobre a invasão dos territórios indígenas, disse também, sobre os anseios da comunidade indígena brasileira e pediu para que o papa levasse seu clamor ao mundo, Marçal de Souza participou do congresso nos (EUA) da ONU (organização das nações unidas) e do filme “terra dos índios”.
Por sua rebeldia em denunciar e lutar pelos direitos de seu povo, ganhou diversos inimigos principalmente fazendeiros, no mesmo ano da visita do papa no Brasil tupã-i (DEUS PEQUENO) já transferido pela funai (fundação nacional do índio) agora morando na aldeia Pirakuá no município de Antônio João, se envolve na luta por demarcações de terras da aldeia , que era contestada pelo fazendeiro Libero Monteiro que considerava aquela área pertencente a sua fazenda que era vizinha a aldeia indigena.

No entanto, após diversas ameaças e intimidações em 1983 no dia 25 de novembro é assassinado com 5 tiros o líder indígena Marçal de Souza, crime que houve repercussão internacional, por muito tempo ficou sem solução, Porem, o principal acusado de ser o mandante do crime era o fazendeiro Libero Monteiro, que como no pais da impunidade 10 anos após sua morte em 1993 foram julgados os principais suspeitos, entre eles Libero Monteiro de Lima e Rômulo Gamarra que acabaram absolvidos.
Marçal de Souza foi um defensor incansável, e que deixou seu nome registrado na historia.
Marçal de Souza esta sepultado em Dourados-MS, terra em que passou boa parte da sua vida, na qual deixou familiares. A luta de Marçal de Souza alarmou e acendeu a importante valorização e preservação dos povos indígenas, Marçal foi um dos vários lideres assassinados na luta pela terra. Pessoa lembrada por Darci Ribeiro em diversas escritas, foi também membro da igreja presbiteriana, enfermeiro, interprete e conhecedor de diversas línguas estrangeiras. Marçal já previa seu fim, Um pouco antes da sua morte ele teria dito: "sou uma pessoa marcada para morrer, mas por uma causa justa a gente morre...".

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Triste lembrança de "O Rei do Gado"

Não é de hoje que a rede Globo exibe telenovelas cheias de preconceitos contra movimentos sociais: associações de moradores, estudantes, sem-teto etc. A gente pode tomar como exemplo a antiga novela das oito O Rei do Gado.

Não é de hoje que a rede Globo exibe telenovelas cheias de preconceitos contra movimentos sociais: associações de moradores, estudantes, sem-teto etc. A gente pode tomar como exemplo a antiga novela das oito O Rei do Gado. Em certo capítulo da tal "atração", um sem-terra foi conversar com um latifundiário e pediu que ele cedesse suas terras improdutivas aos lavradores pobres. O latifundiário - pasmem! - abriu prontamente portões da fazenda para que ela fosse ocupada de forma pacífica e consensual. Moral da história? Ora, os sem-terra da vida real só se envolvem em conflitos porque não têm civilidade suficiente para dialogar com os "pacíficos" e "bem-intencionados" fazendeiros. Noutra cena de "O Rei do Gado", foi mostrada uma passeata de camponeses pobres, todos com bandeiras brancas, ao fundo tocava uma trilha sonora alegre. Logo, porém, apareceu um sem-terra com uma bandeira vermelha, o tema musical tornou-se sombrio. Uma líder sem-terra "boazinha" arrancou a bandeira rubra do manifestante e jogou-a fora dizendo: "Que é isso, rapaz? Quer atear fogo no mundo?" Em vários diálogos da novela era dito que a reforma agrária não seria um assunto político ou social, mas meramente uma questão técnica que "todos" estariam dispostos a resolver, porém só os "competentes" seriam capazes de fazê-lo. Segundo a ideologia da novela, os camponeses nunca poderiam fazer a reforma agrária autonomamente: sempre dependeriam de fazendeiros e políticos. Aliás, um personagem mostrado por ótica bastante positiva era político: o senador Caxias. Curiosamente ele vivia de maneira pobre só porque se recusava a aceitar subornos. Ora, subsídio, "auxílios", "verbas indenizatórias" previstos legalmente já garantem luxo ostensivo, entretanto a novela mentia deliberadamente tentando fazer o povo acreditar que o rendimento de senador só permite uma vida modestíssima. O personagem Caxias morava num apartamento pequeno com a filha e a mulher, a qual volta e meia se queixava: "Se você aceitasse subornos não viveríamos nesta miséria". O "pobre" senador acabou morrendo baleado tentando apartar um conflito agrário desencadeado por "inconseqüentes" sem-terra. Fica até parecendo que os senadores são as grandes vítimas do país. Coitadinhos... Por essas e outras é nítido que telenovelas são lixo cultural e propaganda ideológica de quinta categoria. Elas são criadas para enganar o povo: fazer com que a gente aceite naturalmente os "reis do gado", "salvadores da pátria" e "donos do mundo" que nos oprimem na vida real. O melhor é boicotar tais porcarias, senão toda a programação televisiva.

AUTOR: WINTER BASTOS

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Vejam só que dilema!!!

Na ficha da loja sou CLIENTE no restaurante sou FREGUES, quando alugo uma casa INQUILINO, na condução PASSAGEIRO, nos correios REMETENTE, no supermercado CONSUMIDOR. Para a receita federal CONTRIBUINTE, se vendo algo importado CONTRABANDISTA. Se revendo algo MUANBEIRO, se o carnê esta vencido INADIMPLENTE, se não pago imposto SONEGADOR. Para votar ELEITOR, mas em comícios MASSA, em viagens TURISTA, na rua caminhando PEDESTRE, se sou atropelado ACIDENTADO, no hospital PACIENTE. Nos jornais viro VITIMA, se compro um livro LEITOR, se ouço radio viro OUVINTE. Para o ibope ESPECTADOR, para o apresentador de televisão TELESPECTADOR, no campo de futebol TORCEDOR.Se sou rubro-negro, SOFREDOR ( ainda bem que nem sou). Agora já virei galera. Se trabalho na anatel sou COLABORADOR... E quando morrer... uns dirão FINADO, outros...DEFUNTO, para outros...EXTINTO, para o povão... PRESUNTO. Em certos círculos espiritualistas serei...DESENCARNADO, os evangélicos dirão que fui ARREBATADO.E o pior de tudo é que para todo o governante sou apenas um IMBECIL!!! E pensar que um dia já fui mais EU.

(Luiz Fernando Veríssimo)******

"O nosso destino não é gozar, nem sofrer, mas sim atuar, a fim de que cada manhã nos venha encontrar mais adiante. "

sábado, 11 de abril de 2009

Porque plantar uma Árvore?

Árvore, uma verdadeira máquina complexa e silenciosa.Cada ser vivo tem seu lugar na natureza e realiza muitas tarefas. As árvores são muito importantes tanto para nossas vidas como para o equilíbrio da natureza. Diariamente, uma árvore com 13 metros de altura absorve cerca de 250 litros de nutrientes que são dissolvidos no solo, transportando-os até o mais alto de suas folhas; as folhas por sua vez, absorvem o gás carbônico (Co2), matéria bruta para a transformação dos sais minerais em carboidratos e a luz do sol, da qual todo o sistema da árvore depende para se desenvolver; este processo chama-se Fotossíntese: foto: luz, e síntese: colocar junto. Durante esse processo uma árvore de porte médio libera aproximadamente 2 metros cúbicos de oxigênio puro. As raízes são os órgãos de alimentação, fixação e sustentação. Todas as plantas funcionam como fabricas de matéria orgânica e produzem alimento para quase todos os animais sob a forma de raízes, folhas, flores, frutos e sementes. Quando comemos carne, estamos comendo o capim que o boi comeu e transformou em sua própria carne. Calcula-se que uma árvore de porte médio transpira o equivalente a 60 litros d'água por dia, a umidade escapa pela folhas na forma de vapor d'água e fica espalhada no ar, sendo que esse vapor se mistura com as partículas de poeiras que flutuam no ar ficando cada vez mais pesadas devido ao acúmulo e caem ao chão.
As árvores são eficientes removedoras de poeiras nas ruas. Uma pesquisa feita na Alemanha demonstrou que o teor de partículas de poeira em ruas arborizadas é de apenas 25% em relação às não arborizadas. As grandes quantidades de vapor de água liberadas pelas árvores ajudam a controlar o clima da região. Por isto, as árvores podem refrescar muito uma rua, um bairro, uma cidade e uma nação. Uma árvore de porte médio tem o mesmo poder de resfriamento de quatro maquinas de ar condicionado. Assim como ocorre com as ondas de calor, também as ondas sonoras têm sua energia freada, quando se chocam com a barreira das árvores, ao bater nas folhas o som é em parte absorvido, e parte desviado de seu curso, tornando-se menos intenso ou sendo inteiramente eliminado. De suas folhas, raízes e frutos extrai-se óleos e substâncias medicinais para fabricação de remédios, alimentando outras indústrias como a fabricação de produtos para melhorar a estética das pessoas (cosméticos). Sua beleza, uma árvore é sempre bonita, o verde de suas folhas nos acalma como é bom encontrar uma árvore quando o dia está muito quente e sol forte. A copa das árvores quebra o impacto das gotas de chuvas e ao mesmo tempo, o solo fica coberto por uma camada de folhas e galhos secos que caem das árvores formando um excelente adubo orgânico, sendo que essa camada que se forma por cima do solo funciona como uma esponja que absorve a água que cai de mansinho por entre a folhagem das copas. Essa água irá penetrar devagar na terra e alimentar as águas dos lençóis freáticos. Na beira dos rios, para protegê-los, são as chamadas matas ciliares (o nome refere-se aos cílios, que protegem os nossos olhos), que ficam nas margens dos rios; sem elas a vida do rio corre perigo, essas matas afofam o solo da beira dos rios, funcionando como uma esponja, alimentando os lençóis de água que por sua vez alimenta o rio através de suas nascentes, suas raízes evitam a erosão, pois retêm as partículas do solo (terra) e outros materiais que iriam parar nos leitos dos rios, diminuindo o oxigênio da água e os alimentos dos peixes. Ao plantarmos uma árvore, estaremos efetuando o "Seqüestro de Carbono", sendo as árvores o cativeiro do Co2, pois para a árvore se desenvolver ela necessita do Co2, o qual ela seqüestra do ar no processo de fotossíntese e ainda libera oxigênio puro; a árvore passa a ser o cativeiro, se for cortada ou queimada o Co2 será novamente liberado desse cativeiro.
Precisam ser plantadas muitas árvores nativas frutíferas, pois elas têm um papel importante na alimentação de aves, insetos e morcegos que são agentes de polinização das flores e de dispersão das sementes de outras árvores nativas, ajudando a propagar as espécies vegetais num raio de muitos quilômetros e ainda serve de moradia para vários animais. Se não for contido o Desmatamento, em apenas vinte e cinco anos, mais de 50.000 (cinqüenta mil) espécies de plantas estarão Extintas. Cerca de 1,5 Km2 de floresta tropical é destruída a cada 6 minutos, neste ritmo, toda a floresta tropical restante estará destruída até o ano 2035. Atualmente existe apenas uma árvore para cada 500 habitantes em nosso planeta. Façamos como os índios Americanos que até hoje se recusam a cortar uma árvore viva; Na Indonésia, os membros da tribo Mandelings jamais aceitaram a responsabilidade de abater uma árvore;No Brasil os índios acreditam em seres sobrenaturais, como o Curupira e o Caapora, que perseguem e castigam quem destrói as árvores.As árvores são seres vivos que nascem, crescem, se reproduzem e morrem!Respeitar a Natureza é respeitar a vida!
FONTE: ECOLNEWS

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Demarcação SIM, Latifúndio NÃO!

Terrorismo, mentira e medo tem sido o tripé ideológico que vem dominando o discurso político em Mato Grosso do Sul. Através da maioria dos meios de comunicação acompanhamos notícias carregadas de ódio e preconceito sobre as questões indígenas dizendo que "índios são vagabundos, bêbados e sujos, que só querem direitos e nunca deveres, não precisam de terras, pois não produzem nada, além disso já estão INTEGRADOS a civilização" todas estas afirmações que invadem a vida cotidiana da cidade insistem em ser a verdade incontestável , tudo isso ocorre pelo fato de que não "existem vagabundos e bêbados na sociedade não indígena civilizada" nas portas da sociedade civilizada pedindo "pão velho",dividindo migalhas com os cães,"nobres cães",existe uma grande integração. Essa é a democracia de democratas, latifundiários, que sempre vive a negar a outra cultura justificada pela integração que todos os dias produz a economia regional do "pão velho e do lixo". Todos os dias os latifundiários e seus emissários se posicionam contra a demarcação de terras indígenas, no último dia 28/03/2009 em entrevista ao jornal o progresso o vereador Gino (DEM), classificou os que apóiam a demarcação como "BANDIDOS", e defendeu a idéia do Deputado Estadual Zé Teixeira também do (DEM) de que os fazendeiros devem sim contratar seguranças (que irão atuar como jagunços de plantão), tudo para promover a "democracia" do latifúndio. Se não bastasse, depois de ameaçarem representantes da FUNAI (Fundação Nacional indígena), agora estão fazendo terrorismo com a Igreja Católica, colocando Padres na forca, e exigindo que sejam contrários a demarcação, já que são os poderosos que financiam a Igreja católica. Trabalhadores, estudantes e eleitores cuidado com a "violência" da informação, ela pode alienar a mente de vocês, com o intuito de que nem vocês percebam quem são.

FONTE: CAPIM GUINÉ